quarta-feira, 20 de maio de 2009

BALAIO DE JANIS JOPLIN


Imagem google


Lá vem um trem de mais versos
vestidos de verde e amarelo,
que os Independentes pegou.
Na rima azul que fascina
ou no branco das esquinas
o sol com todo fascínio,
já começa a anunciar,
antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar!

CLÁUDIA CORDEIRO


Lá vai:
* * *

Já vi a lua chegando
Lado a lado com o sol
E no céu milhões de estrelas
Via Láctea
E o mar
Esperando a alegria chegar
E pegar com mãos de sedução
Os vermelhos cabelos
Beijando os olhos cor de leite
De quem já não aguenta chorar
Mas a esperança aparece em uma folha
Antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar!

VERÔNICA AROUCHA


Tá indo agora:

Disseram os poetas independentes:
Antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar.
Digo eu aqui da Bahia
Pensando no Ceará
Muita gente que se foi
Devia de poder voltar:

Mas o povo lá de cima
Também precisa escutar
O som desses vanguardistas
Da música popular.
A nós cabe o deleite,
agradecer a Deus pelo tempo
E aguardar o momento do encontro
Que é certo, virá a contento.
Pois antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar.

Enquanto ela não volta
E mesmo quando voltar
Fico aqui escutando
Minha filha Marcela tocar.
Ela é linda, é fera e artista
Toca, canta, adora pop e reggae
Imagine só o encontro:
Uma diva do rock e uma nefelibata do Reggae.

SÍLVIA

I

Ferindo ouvidos modernos

O som que não quer calar

Parece vir dos infernos ,

mas disso eu vou duvidar

antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar !



CLÓVIS CAMPÊLO

(Recife-PE)

II

Ela saiu pela manhã

Me deixou na cama a sonhar

Seu grito embala meu sono

A sua dança irá me acordar

Antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar



Pula na minha cama

Me chama para amar

Dança que aquece e arde

Na solidão não vou ficar

Antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar!


Meu amor me acordou

Curiosa a perguntar

Sonâmbulo implorei

Para ela não me acordar

Antes que a tarde se apague

Janis Jopilin vai voltar



ANTONIO CARLOS

(Recife-PE)



III


Olhando da minha janela

o movimento do mar

imaginei Janis aqui

Sem preconceito na alma

com uma voz mais calma

passeando ao luar ...

Boa Viagem te espera -

antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar



CRISTINA HENRIQUES

(Recife-PE)


IV

Tá valendo pé quebrado,

nesse mote de arrepiar ???

Nunca pensei nessa idéia,

pois só Élvis ia voltar ...

Mas pra não perder o mote

e a vontade não passar,

depois de tanta saudade,

tanto tempo a esperar,

a cigarra ta cantando

como a prenunciar:

antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar!


TÂNIA FRANÇA

(Pesqueira-PE)


V

De guitarra elétrica chegou
Na porta do céu sem aviso
Fugiram os anjos de pavor
De tanta falta de juízo
Parecia uma louca a cantar
Antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar

VI

Janis Joplin quer voltar ?
Me permitam duvidar
Quem espera tal milagre
Acredita em boi-tatá
Antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar

CONCEIÇÃO PAZZOLA

(Olinda-PE)


VII


O que aqui no peito trago

Tem saudade, dor e algum amargo

Mas, também há o que afague

Que é a certeza de poder acreditar

Que, antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar


E a certeza que me alimenta

Cada vez mais se sedimenta

Quando vejo poeta que propague

Em tom que se possa afirmar

Que, antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar



FERNANDO SPANGHERO


VIII


Verto só mais um gole, lépido mas traiçoeiro

De bebida em bolhas doce, num desejo derradeiro

Talvez um milagre me salve

Então quero acreditar

Que, antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar!



LIRIS LETIERIS

(Salvador-BA)


IX

Antes que o mar pegue fogo
e o sertão vire mar
Cássia Eller
é quem precisa mesmo voltar .
Mas antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar.

X

Então que seja num dia
de imensidão azul
Visíveis, risíveis,
três eguns a dançar : Janis, Cássia e Raul.
Antes que a tarde se apague
Janis Joplin vai voltar.

MARTHA GALRÃO
(Salvador-BA)

XI

Azucrinação poética



Que tanta satisfação

Em prosa , deleite e verso

Por causa de um cantor?

Ou de todo o universo?

Pois vejo poetas cantando

Vejo gente apinhada

Fazendo verso relâmpago

Numa internet virada!

Que venham todos mortinhos

De gente mal assombrada

Já se foram em seus corpos

Nos deixaram a toada!

Em sons intensos de brilho

No meio da poetada!



TACIANA LIMA





XII



Telegrafando na estação

Ouvia os sinais telegráficos de então

Mas, sempre pensando no progresso

Aprendi a digitar

Que, antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar



JOSÉ CALVINO




XIII


Ecôo pelas planícies

o seu sofrido cantar .

Alguém escutou e disse:

- Isso vai se espalhar!

Antes que a tarde se acabe,

Janis Joplin vai voltar.



DON REGUEIRA

Recife-PE



XIV


De pé-quebrado eu entendo

e isso eu vou explorar,

vale o soneto e o remendo

bom mesmo é só poetar,

antes que a tarde se acabe

Janis Joplin vai voltar.



DON REGUEIRA

Recife-PE



XV

Raul vai voltar?

Ói, já é vem, fumegando,

apitando, chamando...

Quem vai chorar?

Quem vai sorrir?

Quem vai ficar?

Antes que a tarde se apague

Janis Joplin vai voltar!


JOSÉ CALVINO

domingo, 17 de maio de 2009

SOMBRAS


Imagem google


Sem ser convidada e caprichosa

Ela chegou devagar dissimulada

Levou consigo sua luz e o prazer

Os detalhes de rostos e risadas



Perdidas foram as bonitas cantigas

Entoadas por lábios agora selados

Cobertas de breu cores amigas

Perdeu-as na memória do passado



Agora tateia em seu mundo escuro

Povoado de pisadas e de rumores

Neste abismo sem cor há o muro

A trincheira sem vida sem escolha



Queria desfazer sombras e juntar pedaços

Das imagens guardadas entre as trevas

Restaram somente esboços e os traços

Meros retalhos que o passar do tempo leva.




Maria da Conceição Cardim Pazzola


28/08/1997

(Para Sebastiana Ferreira de Carvalho, minha mãe)


quarta-feira, 13 de maio de 2009

DESABAFO


Imagem google




Vem de longe o meu desejo

De abrir de par em par

Em todas casas que vejo

Ruas, praças aonde passar



Em todo canto, em todo lugar

Vem de longe, muito longe

É ânsia essa esperança

Embora seja tão insana

De te oferecer duas mãos

Recheadas de boa vontade



Sem nada e ninguém

Coisa nenhuma, o que for

Mais uma vez a sufocar

O dilúvio danoso, a voragem



Venha interpor depois

Espinhos entre nós e matar

Essa vontade, essa coragem

De sermos somente nós dois.




Conceição Cardim Pazzola

23/04/1990.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

A TERRA E O AMOR MATERNO


Minha mãe Sebastiana e sua neta Ines



Produtiva, a terra faz pelo homem o desabrochar das sementes nela depositadas, devolve o seu trabalho com a mesa farta, capaz de saciar a fome de quantos dedicam o seu tempo a cultivá-la. Lindo é o nascer de tenros brotos, entregues à força da Natureza, ao vento, à chuva, a toda sorte de ameaças.

Transfigurados em flores, depois em frutos, vão dar origem às novas sementes, tão logo atiradas à terra continuarão o ciclo vital para a sobrevivência daqueles que a cultivaram.

Semelhante ao amor materno é o exemplo da terra cultivada, invadindo os nossos olhos de verde. Aos filhos, brotos tenros entregues a toda sorte de ameaças na luta pela vida, o amor de mãe bem cultivado, autêntico, conduz sem interferir, disciplina sem magoar, ama, sem exigir.

Sabe devolver com redobrada ternura tudo quanto recebe e nada pede em troca.

Até mesmo ao ver o desabrochar de sua “semente” em frágil criança, depois em ser adulto, continua guardando a doce imagem do inocente menino a quem acalentou um dia.

Nem a terra, nem o amor materno, férteis, generosos, têm preço.



Maria da Conceição Cardim Pazzola
09/05/1984.


sexta-feira, 1 de maio de 2009

PIUIU...UIU...


Imagem google





Lá vai o trem que me leva
Cada vez vai mais depressa

Cada curva é uma promessa

De uma parada ou de chegada



Segue a viagem sem trégua

Pelos trilhos passam estações

De vez em quando ele sossega



Ano após ano, lá vai o trem.

Sem que perceba, vou sozinha

Levo na viagem todas as escolhas



Cada vez seguimos mais depressa

Cada curva é só uma promessa

A minha chegada se avizinha!



Passam os anos, vão com o vento

Mal desmancham os cabelos

Para trás deixo breves momentos

Apagam-se imagens no espelho



Lá vai o trem que me leva

De quando em vez ele resfolega

Distante da hora de partida

Falta só uma nova trégua

Nessa viagem só de ida.



Conceição Pazzola

Olinda, 30/4/2007