quarta-feira, 13 de maio de 2009

DESABAFO


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Vem de longe o meu desejo

De abrir de par em par

Em todas casas que vejo

Ruas, praças aonde passar



Em todo canto, em todo lugar

Vem de longe, muito longe

É ânsia essa esperança

Embora seja tão insana

De te oferecer duas mãos

Recheadas de boa vontade



Sem nada e ninguém

Coisa nenhuma, o que for

Mais uma vez a sufocar

O dilúvio danoso, a voragem



Venha interpor depois

Espinhos entre nós e matar

Essa vontade, essa coragem

De sermos somente nós dois.




Conceição Cardim Pazzola

23/04/1990.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

A TERRA E O AMOR MATERNO


Minha mãe Sebastiana e sua neta Ines



Produtiva, a terra faz pelo homem o desabrochar das sementes nela depositadas, devolve o seu trabalho com a mesa farta, capaz de saciar a fome de quantos dedicam o seu tempo a cultivá-la. Lindo é o nascer de tenros brotos, entregues à força da Natureza, ao vento, à chuva, a toda sorte de ameaças.

Transfigurados em flores, depois em frutos, vão dar origem às novas sementes, tão logo atiradas à terra continuarão o ciclo vital para a sobrevivência daqueles que a cultivaram.

Semelhante ao amor materno é o exemplo da terra cultivada, invadindo os nossos olhos de verde. Aos filhos, brotos tenros entregues a toda sorte de ameaças na luta pela vida, o amor de mãe bem cultivado, autêntico, conduz sem interferir, disciplina sem magoar, ama, sem exigir.

Sabe devolver com redobrada ternura tudo quanto recebe e nada pede em troca.

Até mesmo ao ver o desabrochar de sua “semente” em frágil criança, depois em ser adulto, continua guardando a doce imagem do inocente menino a quem acalentou um dia.

Nem a terra, nem o amor materno, férteis, generosos, têm preço.



Maria da Conceição Cardim Pazzola
09/05/1984.


sexta-feira, 1 de maio de 2009

PIUIU...UIU...


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Lá vai o trem que me leva
Cada vez vai mais depressa

Cada curva é uma promessa

De uma parada ou de chegada



Segue a viagem sem trégua

Pelos trilhos passam estações

De vez em quando ele sossega



Ano após ano, lá vai o trem.

Sem que perceba, vou sozinha

Levo na viagem todas as escolhas



Cada vez seguimos mais depressa

Cada curva é só uma promessa

A minha chegada se avizinha!



Passam os anos, vão com o vento

Mal desmancham os cabelos

Para trás deixo breves momentos

Apagam-se imagens no espelho



Lá vai o trem que me leva

De quando em vez ele resfolega

Distante da hora de partida

Falta só uma nova trégua

Nessa viagem só de ida.



Conceição Pazzola

Olinda, 30/4/2007

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Incerteza


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Debruça a relva com a ventania

Arrasta uma flor na força das águas

Ninguém ouve seus gritos de agonia

Entregue ao rodopio da correnteza



Suas pétalas agonizam lentamente

Vão de enxurrada sem defesa

Indiferente o rio segue em frente

Obediente à força da natureza



Como a flor dizimada pelo vento

Prossigo afogada na incerteza

Da vida insana sem lamento

Insegura e distante da represa



Envolta na tormenta, devagar

Rendo-me a um torpor benfazejo

Desisto de querer e de sonhar

Desperdiço pétalas dos desejos.


Conceição Pazzola

Junho/2008

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A CAIXA PRETA - Sinopse


Amóz Oz
A CAIXA PRETA



...Certa manhã brilhante, pouco depois do nosso casamento, quando eu estava detido por manobras da minha unidade em Neguev, ele apareceu em Jerusalém e começou a explicar delicadamente a você, como que covardemente, que o filho dele - para sua grande mágoa - era apenas "uma alma burocrática", enquanto vocês dois eram como "um casal de águias aprisionadas". Por isso, de joelhos, ele suplicava que você consentisse em passar com ele apenas "uma noite mágica". E jurou por tudo que lhe era mais caro e sagrado que não tocaria em você nem com um dedinho sequer - ele não era um vilão - mas apenas ouviria você tocando e lendo suas poesias, depois passearia com você pelas montanhas em torno da cidade, concluindo com a vista do "nascer do sol metafísico" do topo da torre da ACM. Quando você recusou, passou a chamá-la de "biscatezinha polonesa" que astuciosamente dominara seu filho e foi embora. (Naquelas noites, você e eu já tínhamos começado a nos excitar com os jogos do terceiro na cama. Ainda não tínhamos saído do terreno da imaginação. Será que o Czar era o terceiro homem das suas fantasias? A primeira mentira que você me disse?)...
..........................

A caixa preta a que se refere o título não pertence a um avião, e sim a uma relação amorosa desfeita. Anos depois do divórcio escandaloso, Ilana, a esposa rejeitada, emerge das cinzas do tempo, da distância e do rancor para passar a limpo seu casamento com Alex Guideon, professor e escritor mundialmente famoso.A troca de cartas vai num crescendo, a princípio contido, até explodir em confissões perturbadoras sobre um grande amor nunca exterminado pelo correr dos anos. Ao mesmo tempo, por trás de paixões pessoais tão intensas que beiram a loucura, desenha-se com precisão o complexo panorama social, religioso e político da vida em Israel na segunda metade do século XX. Fortemente erótico, mas também engraçado e poético, A CAIXA PRETA revela aos poucos sua sabedoria mais funda e amarga: somente a proximidade da morte e a consciência da finitude do corpo podem apaziguar as paixões.

Pesquisa: google.






terça-feira, 7 de abril de 2009

NAVEGAR É PRECISO


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Lá vai o barquinho de papel
Nas ondas do mar e o vento
Carrega o amor para longe
Do teu, do meu pensamento

Lá vai a moça apressada
Nas curvas do sentimento
Envolta no laço apertado
Do amor jogado no vento

Lá vai a jangada serena
Buscar a pesca encantada
Trazida pela brisa amena
Em breve estará em casa

Lá vai teu beijo atirado
Nas dobras dos dedos aflitos
Procurar os lábios molhados
Da menina de vestido de chita.

Conceição Pazzola

Abril/2009