segunda-feira, 16 de março de 2009

BRILHO PASSAGEIRO


Imagem google


No céu entre nuvens passageiras

Brilham centenas de estrelas ofuscantes

A sonhar na terra meninas fagueiras

Esperam seu primeiro amor desabrochar

A todo instante estrelas se transmudam

Uma some, outra vem ao seu lugar

Grande, talvez muito mais bonita

Para os nossos olhos deslumbrar

O coração pulsa em descompasso

Ao ver a via-láctea deslumbrante

O facho de estrelas corre no espaço

Breve, o vento leva num instante

Plena de alegria e beleza genuína

Cada uma está disposta a revelar

Ofuscante como estrela é a menina

Misteriosa e mulher no doce olhar


Conceição Pazzola

Olinda, 29/04/2002

sexta-feira, 13 de março de 2009

MERGULHO



Imagem google (Fernando de Noronha)




O véu que ocultava teu rosto
Escondia o brilho de teu olhar
Sedento de amor reprimido
E incontida paixão


Depois de arrancá-lo
Com a ternura de minhas mãos
Mergulhei no doce abismo
E nunca mais pude acordar


Somente no mar de teus olhos
Encontrei o furor jamais pensado
Das indecifráveis correntezas
Tuas cálidas ondas enlouqueceram


Os meus sentidos e naveguei
Suavemente até o fundo de
Teu coração inquieto, impaciente
Sem querer nunca mais acordar


Na superfície fria da realidade
Dolorosa e cruel que nos rodeia
Entregue ao abrigo de teus braços
Fui parar onde mora o segredo
Que tanto quiseste ocultar.


Conceição Pazzola
Março/2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O CARROSSEL


Imagem google

Continuo a girar, sempre a girar
No meu cavalinho branco e alado
De sela vermelha e prateada
Voamos no carrossel do tempo

O cavaleiro ao meu lado
De repente desce sozinho

Sem dizer aonde deve ir
Sem um convite, um gesto
Apeia da sela, se põe a sorrir

Quando menos esperava
Deixa-me só e vai partir
Levado numa só lufada.

Como quem vai só até ali
Ele segue sem se despedir
Sorrindo numa nuvem branca

Fico a girar sozinha a girar
Atordoada com a velocidade
Olho o céu e nada mais vejo


Muitas voltas tantas voltas
Estontearam o meu penar
O carrossel não me solta
Não sei quando vou chegar.


Conceição Pazzola

domingo, 1 de fevereiro de 2009

BORBOLETA


Imagem google




Queria ser borboleta
Com asas para voar
Sobre rios e florestas
Diversos a conquistar

Queria ser borboleta
Voar em torno de ti
Saber os teus segredos
Ver o que eu nunca vi

Queria ser borboleta
Colorir ondas do mar
Visitar muitos jardins
E distâncias sem fim

Borboleta de verdade
Ninguém te viu chorar
Desfrutas de liberdade
Sem hora para chegar..

Conceição Pazzola

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

PREMONIÇÃO


IMAGEM GOOGLE






A mulher é contra-senso de desejos
Tem constante anseio de vontades
No pêndulo de juízo e de vaidade
Balança entre dúvidas e pelejas

Entre o sim e o não, ela carrega
Pela vida rotineira em turbilhão
Sem palavras e qualquer reação
Equilibra do paraíso à comédia

Suporta silente a simplória verdade
Sabe de seu destino, sina, e a glória
De nascer mulher. Na maternidade
Tem a passageira e a maior vitória

Vê nas filhas, a reprise de sua trilha
Vaga no meio de mundos conquistados
De santos homens, são pais de família
Cabe a cada mulher o lugar ao seu lado.


Conceição Pazzola

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

UMA HISTÓRIA DE NATAL


O Baile do Menino Deus, imagem google


Quando os nossos filhos eram crianças, na véspera de Natal nós os levávamos para ver a decoração do Centro do Recife. Todos os anos, a mesma coisa.
Descíamos do ônibus Olinda-Casa Caiada ao anoitecer, preocupados com o trânsito e com a obrigação de atravessar corretamente nos semáforos para chegar às pontes.
Caminhar pelas ruas do Recife é uma aventura, especialmente em companhia de quatro crianças, ansiosas por encontrar diversão.
No rio Capibaribe se refletiam as luzes coloridas e, dentro da água, a árvore de natal piscava em dose dupla, refletida no rio. Felizes por estar ali, as crianças se debruçavam no beiral, apreciavam o espetáculo, soltavam as suas bexigas de borracha. Enquanto elas voavam ao sabor do vento, torciam para ver qual chegaria mais alto no céu.
A véspera de Natal sempre acabava no Cordeiro, onde moravam os meus pais e irmãs, que nos esperavam para a ceia.
Percorríamos as principais ruas do Recife até chegar ao terminal que nos levaria a esse bairro.
No dia seguinte, a família se reunia para o almoço de Natal. As crianças tinham a oportunidade de brincar com os primos e todos nós sentíamos alegria em rever pessoas que raramente encontrávamos durante o restante do ano.
São lembranças que fazem parte de um tempo muito feliz.

Conceição Pazzola

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O VISITANTE DE DEZEMBRO


Imagem google

Nas ruas apinhadas, gente indo e vindo, todo mundo comprando às pressas, ninguém dispõe de tempo para apreciar o nascer do dia, o raio de sol que parece brincar nas vidraças da janela, nas poças d’água das calçadas. Neste clima materialista, como seria recebido o aniversariante máximo de dezembro?

Se Jesus por milagre aparecesse no meio da rua, os carros freiariam a tempo? E as pessoas acreditariam, mesmo, que era “Ele”? Nos balcões apinhados das lojas, os olhares de cobiça se desviariam para o ilustre visitante?

O que Ele acharia do vai-e-vem enlouquecido de compras, das vitrines cheias de papai Noel, árvores de Natal cobertas de falsa neve, do trânsito engarrafado das ruas, de tantas pessoas que esqueceram o significado de “Amai-vos uns aos outros” ?

Talvez seja preferível que não venha nos visitar, pelo menos, livra-se de sofrer decepção. Nesta insana época pré-natalina, de consumismo desenfreado, talvez nem Jesus compreendesse o que toda essa gente diz comemorar em 25 de dezembro.

A Sua humildade magnânima, a crença na humanidade que O fizeram pronunciar: "Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem!” Teria ainda essa crença, falaria a mesma coisa a esta humanidade de robôs?

Meu Deus, é melhor Jesus nem tomar conhecimento (como se isso fosse possível) do que nós chamamos hoje de Natal. Ele, que é tão bondoso, não merece tamanho desencanto.

Ainda é tempo dos homens aprenderem a olhar o seu semelhante, não apenas durante o mês natalino. Quem sabe, assim todos pudessem ser bem mais felizes.


Conceição Pazzola