sexta-feira, 23 de março de 2007

MISTÉRIOS DO CORAÇÃO


Eu me sentiria feliz se,
pelo menos uma vez,
eu estivesse quieto no meu canto, parado,
e você me procurasse,
sem que eu tivesse que mover um dedo,
nem sequer esboçar um sorriso.

Eu me sentiria muito feliz se,
ao cair da tarde, encontrasse seu coração
entrando em meu silêncio,
devassando minha solidão,
desprezando minha timidez,
sem sequer mudar nada em mim.

Eu me sentiria irremediavelmente feliz,
se eu tivesse me dado conta
de pelo menos uma,
das tantas vezes em que isso aconteceu,
não só com você,
mas com tanta gente que eu quis.

Roberto Shinyashiki

Roberto Shinyashiki, 53 anos, é psiquiatra e psicoterapeuta • Já vendeu 6,5 milhões de exemplares de livros como Amar
pode dar certo e
O sucesso é ser feliz • Presidente da Editora Gente, conclui este ano o doutorado em administração de empresas na USP • Católico praticante, freqüenta templos budistas e admira mestres da Índia como Osho, Sai Baba e Ramesh • Apaixonado por guitarra, apresenta-se uma vez por mês com o grupo Dinossauros Rock Band em um bar paulistano.

domingo, 18 de março de 2007

ANNA KARENINA, RESUMO


ANNA KARENINA

Leon Tolstói

“Minha é a vingança e a recompensa” Deuteronômio 32:35


O magnífico romance do grande escritor Leon Tolstoi tem por cenário a Rússia czarista onde a mulher é inserida numa sociedade hipócrita, decadente e dominada por grandes senhores de terras.

Até conhecer o homem que mudaria radicalmente o seu modo de agir, Anna partilha com o marido de uma família aparentemente sólida, sequer desconfia que a vida não se resume apenas às obrigações impostas pelo marido que a exibe nos salões como objeto precioso.

Tudo acontece quando vai a Moscou a fim de tentar salvar o casamento de seu irmão que estava em crise. Consegue, entretanto apaixona-se por um aristocrático militar, por ele abandona o marido e o filho pequeno. Dominada pela intensa paixão esquece as obrigações e viaja com o seu amado para o exterior; o remorso, a saudade do filho devagar destroem a felicidade que ela imaginava encontrar nos braços de seu amante. Devagar a paixão vai se diluindo, Anna percebe que é impossível voltar atrás, entra em desespero, deixa o causador de sua desgraça e atira-se embaixo de um trem.

O livro prossegue com outro personagem, um jovem proprietário de terras rurais que se debate entre conflitos de classe com os lavradores e problemas existenciais, que passam a segundo plano quando ele se apaixona por uma jovem simpática e cheia de vida, que se torna a sua esposa. Apesar de haver encontrado a felicidade ao lado de sua querida Kitty, Lievin mergulha de novo nos problemas existenciais, até conhecer um velho mujique que ensina-o a procurar confiança e Fé em Deus para cuidar da saúde de sua amada esposa. Lievin descobre as respostas para os seus questionamentos, torna-se confiante e vai para os braços de Kitty que espera um filho seu.

sexta-feira, 16 de março de 2007

QUINZE ANOS DEPOIS...


Quando voltares para casa

Estarei na cama dormindo

Toda a mobília renovada

E nossas crianças sorrindo

Quando voltares para casa

Acharás a mulher perfumada

As panelas sobre o fogão

E todas lâmpadas apagadas

Quando voltares para casa

Notarás a família reunida

Todas as janelas abertas

E teus filhos cheios de vida

Quando voltares para casa

Todos ouvirão indiferentes

Os teus passos na entrada

Ninguém pulará de contente

Quando voltares para casa

Pensa direito um instante

Antes de desfazer tua mala

Para um detalhe importante

Quando voltares para casa

Sem afago no cabelo revolto

Diante da fechadura trocada

E do novo cachorro solto.


Conceição Pazzola 19/2/2007

domingo, 11 de março de 2007

É CARNAVAL


Lá vem o tempo

De vestir a fantasia

Porque os dias de folia

Vão chegar

Eu quero pular

Quero cantar de alegria

Em qualquer bloco

Vou ter de desfilar

Pode ser no bloco

Dos pirangueiros

Por que não

E logo ali

Vem chegando

Mais um cordão

Eu Quero Mais

Cadê a minha gente

Cadê o meu pandeiro

Tragam bem depressa

Que eu quero ir atrás

Quando você meu amor

Vier pra me buscar

No meio da multidão

Eu ainda vou querer

Pular, cantar e gritar

Até me arrebentar

De tanta animação...

Conceição Pazzola

24/1/2007

quarta-feira, 7 de março de 2007

OFERENDA


Veio, no cheiro do tempo,
este tempo molhado
com pingos vermelhos.

Veio da terra sulcada,
na rosa de sangue
que não vai murchar.

Veio, no vento inconsútil,
nas asas do sonho,
no imo de mim.

Veio, no tempo das flores,
dos corpos salgados
de brisa e de mar.

Veio da pele sulcada,
o amor feito rosa
que eu quero te dar.



Yêda Schmaltz

sábado, 3 de março de 2007

A IDADE DA RAZÃO, RESUMO

L’Âge de Raison) Jean Paul Sartre

O mestre do Existencialismo criou um enredo envolvente na atmosfera e na vida noturna de Paris. A convivência do professor Mathieu com os amigos e alunos na noite parisiense é o charme do romance. Apesar de morar na famosa Rua Montmartre no centro de Paris, Mathieu vive tentando resolver o seu problema angustiante de falta de dinheiro para que sua amante pratique o aborto de um filho, que ele acredita ser indesejado também por ela. Quatro vezes por semana quando todos dormem, ele encontra Marcele, ambígua e misteriosa, de quem deseja livrar-se por causa de Ivich, jovem irmã de Bóris, que é amante de Lola Montero, a cantora do cabaré. Lola Montero é viciada em drogas, venera Bóris, belo e muito mais jovem que ela. Ivich aceita ser cortejada embora finja desprezar Mathieu.

Ivich teme o fraco desempenho nos exames porque terá de partir para Laon onde moram os pais.

Daniel, a quem Mathieu estima, tenta esconder a homossexualidade, odeia Mathieu por considerá-lo uma pessoa sem defeitos, inveja a sua relação com Marcele que visita nas noites em que está sozinha até convencê-la a não abortar o filho que espera de Mathieu.

Quando Marcele resiste à idéia de abortar, Mathieu retira-se contrariado. Em casa hesita em voltar para ela, confessar que a ama e propor-lhe casamento. Daniel aparece, declara ser pederasta e o próximo casamento com Marcele para que seja o pai de seu filho.

Quando ele sai, Mathieu sente falta de Ivich que partiu para Laon. Acredita haver chegado à idade da razão.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

UM CARTÃO DE VISITA



Moro tão longe, que as serpentes

morrem no meio do caminho.

Moro bem longe: quem me alcança

para sempre me alcançará.


Não há estradas coletivas

com seus vetores, suas setas

indicando o lugar perdido

onde meu sonho se instalou.


Há tão somente o mesmo túnel

de brasas que antes percorri,

e que à medida que avançava

foi-se fechando atrás de mim.


É preciso ser companheiro

do Tempo e mergulhar na Terra,

e segurar a minha mão

e não ter medo de perder.


Nada será fácil: as escadas

não serão o fim da viagem:

mas darão o duro direito

de, subindo-as, permanecermos.




Alberto da Cunha Melo