quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

OLHAR


Um espaço imenso nos separava: eu e o sonho.

Sonhar acordada com a felicidade é loucura demais.

A minha ficção brincava com o real... Enxergava meus olhos que aparentavam cores;

minhas pernas corriam e meu coração se fartava de alegrias em alguns momentos.

Mas, o espaço de medo continuava a me invadir.

Ou eu a ele...

Que importa - estava sempre na minha frente.

Compreendi que é a parte irrealizável do meu instante.

Em nenhuma hora, em nenhum passar do tempo eu conseguiria penetrar.

Tal segredo não é permitido aos mortais; não como eu,

de asas curtas, sem contemplar o simples ato de voar.

Poderia ser uma lagoa, uma cachoeira ou simplesmente um deserto.

Mas, eu queria sim, penetrar por todos esses segredos do meu universo.

Tudo que temo, não ocupa espaço no olhar de outrem...

Mora tudo em mim: barquinhos na água são meus olhos chorando;

Montes verdejantes sou eu também, quando me sinto forte.



Verônica Aroucha

Recife - PE




 

Um comentário:

Silvia disse...

Asas pra que te quero. Pra ser lagoa,deserto, cachoeira, medo, verdes montes, colorido mundo.
Quero-te pra realizar meus sonhos.
Lindo, lindo, lindo. Beijo grande.