segunda-feira, 16 de junho de 2008

MUITO SIMPLES


Às vezes a vida parece tão complicada.


Enquanto as mãos trocam rodas de carrinhos de brinquedo com as novinhas do irmão menor, balança as pernas que mal alcançam a calçada lateral de casa pensando em problemas sem respostas.


Mãe, por que chamam esse de “o quarto dos fundos”?

A pergunta escapou involuntária.


No outro extremo, lá da cozinha, a mãe gritou sem desviar o olhar da panela: Você já fez todas as tarefas de casa?


Satisfeito pelo trabalho bem sucedido, de novo os carrinhos deslizavam que era uma beleza.

É sempre assim, ela muda logo de assunto quando não sabe das coisas.

O cheiro da cozinha despertou-o para a lembrança do irmão que logo voltaria da escolinha.


Um coro de assobios vindo da rua o fez esquecer todo o resto; sacudiu de qualquer jeito a caixa de papelão embaixo do beliche e com astúcia felina arrastou a bicicleta até o portão de onde escapuliu.


A brisa morna desalinhou-lhe os cabelos quando ganhou as ruas.

Misturado à turma de pequenos ciclistas pensou como a vida às vezes pode ser muito simples.


Conceição Pazzola

Junho/2008.

3 comentários:

mundo azul disse...

Quanta felicidade em tão pequenos atos!
Você relatou o acontecimento de tal maneira, que visualizei toda a cena...
Beijos de luz, querida amiga e muita alegria no seu coração!

Gerlane disse...

É, Ceiça! Como é bom ver a vida pela ótica de uma criança. Como muda a nossa visão quando crescemos.

Beijos!

clara disse...

que linda foto, vó!
deu muitas saudades da minha 'pirralhice' agora.
te amo!