quarta-feira, 2 de maio de 2007

O RIO



Mesmo antes de um rio cair no oceano
Ele treme de medo
Olha para trás, para toda a jornada:
Os cumes
As montanhas
O longo caminho sinuoso através das florestas
Através dos povoados
E vê à sua frente um oceano tão vasto
Que entrar nele nada mais é
Do que desaparecer para sempre
Mas não há outra maneira
O rio não pode voltar
Voltar é impossível na existência
Você pode apenas ir para a frente
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano
E somente quando ele entra no oceano
É que o medo desaparece
Porque apenas então o rio saberá
Que não se trata de desaparecer no oceano
Mas tornar-se oceano.

(Autor Anônimo)



Um comentário:

Sílvia Câmara disse...

É muito lindo, Ceiça.
Tornar-se oceano. Aguar-se até não mais poder. Já pensou?
É por isso que gosto de mar-dormitório e de desígnios piscosos.
beijo, querida.