sexta-feira, 20 de abril de 2007

RIO-HOMEM


Águas limpas, águas turvas

Reflete sol, reflete o tempo

Encrespa ao vento, se vem chuva

Se vier seca, perde o tormento

Indefeso, desnudo, vai ao relento

Nele navegam peixes e homens

Barcas, roupas, bichos

Cobra-d’água, jacarés, lixo

E segue o percurso inda rijo

Doce, terno, salgado, lerdo

Paciente, desejado, detestado

Vai ao encontro do mar eterno

Quanto sofre, rejeita, contorce

Obstinado...

Homem fosse, arma teria

Falsa defesa, força bruta

Escorre no leito em desalento

Cheio transborda alegre luta

Vai e seco morre triste

Só por um instante, inexiste.

Conceição Pazzola

22/05/1985.

Um comentário:

Maria Muadié disse...

Ceiça, adorei, muito bonito.
Engraçado que meu tio Luiz Paulo tem um poema muito bonito sobre o rio Amazonas que chama O Homem-Rio. Beijo