quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

POEMA DE IBEJI


Num rumorejo alegre
as moças cuidadoras
aveludaram a senhora

arrumaram seus cabelos
escolheram seu vestido
e pintaram suas unhas
cor de rosa.

Foi assim adocicada
que a mulher sentou-se
frente ao bolo perolado
entre firme e desvanecido
em cascatas de açúcar.

As velas pulsando 80
e o batuque vigoroso dos corações
bordeando a mesa
atordoaram a menina.

Os mais atentos viram,
apesar da inexatidão dessa hora,
quando ibeji ventou sorrindo
roubando doces da mesa
e fazendo brotar dos olhos dela
a nascente de um rio.

Martha Galrão
03/1/2007



Conhecido na Umbanda como Cosme e Damião e, erradamente identificado nos Candomblés como Erês, Ibeji é na realidade a divindade gêmea da vida - uma dualidade de existência que proporciona aos seus filhos certas vantagens em relação aos demais orixás.

Chamado de Ibeji na nação Ketú ou Yorubá e Tobossi no Gege Vodú, esse orixá-Vodun se identifica no aspecto masculino como Tossé e no feminino como Tossá. Geralmente proporcionam aos seus filhos, famílias extensas ou o aparecimento de filhos gêmeos. Na Nação Angola, Ibeji é conhecido como Vounge Mona Ame.







 

4 comentários:

Campêlo disse...

Nem todos os filhos de Ibeji têm o mesmo olhar. Alguns assustam, outros alegram, todos porém falam da vida.
Clóvis Campêlo

Maria Muadié disse...

Lindo, Ceiça. Obrigada.
Beijo,
Martha

Eduardo disse...

Ibeji criança, que gosta da cor rosa e de doces... escorrega nas cascatas dos sonhos, se esvai aos poucos deixando o branco de um lindo vestido.
Parabéns Martha, ficou lindo Conceição.
Abraços de bolo,
Verônica Aroucha

Sílvia Câmara disse...

Ficou lindo, Ceiça.
Precisamos comemorar, Martha.
Vamos marcar um pedaço de bolo?
beijo grande.