sábado, 30 de junho de 2007

NOITE FRIA


Sozinha na porta de casa

com meu vestido de chita

e cheiro de terra molhada

olho a fogueira apagada

arrumada por meu pai

no raiar da madrugada

Guardo a criança no olhar

e duas tranças de fita

sinto cheiro de comida

da cozinha de mamãe

onde menino não entra

só na hora da partilha

Distantes cantigas juninas

são as vozes da bandeira

chega de muito longe

o ranger do carro de boi

traz animada a quadrilha

vem a noite esquentar

No terreiro enfeitado

voam fogos de artifício

no céu todo estrelado

já é festa de São João

canta homem e mulher

é a hora do arrasta-pé

toca xote, forró e baião

Estrelinhas e foguetão

nas brasas da fogueira

assanham menino chorão

aquecem a noite festeira

No auge da festa animada

cai a grande chuvarada

esmorece a brincadeira

emudece o sanfoneiro

o triângulo a batucada

Foge o povo do terreiro

adeus brasas apagadas

sonhos alegres e berreiro.


Conceição Pazzola


Olinda, 23 de junho de 2006.

7 comentários:

LIRIS LETIERES disse...

Ai, amiga Pazzola...
Cabô São João!!!!!!!!!!!
p.s.meu vestido tá ainda cheirando à fogueira, estou sem querer lavar...

Cheiro de flores...
Ah! Que maravilha!
Bjs!
Liris ouvindo um último estampido de traque e brindando com licor de cacau Letieres

Maria Muadié disse...

Pôxa, que saudade...

Maria Muadié disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Campêlo disse...

O truque era o traque nos trinques, a troca, o toco tosco,
a fogueira fagueira, a bomba que assombra, o foguete no torniquete, o balão de São João acima do avião.
O truque era o toque, o som cheio da bicha-de-rodeio, a frenética da cobrinha-elétrica, o arrojo do rojão.

Clara disse...

vó,
ameei o post de abril viu? ficou muuito lindo! Tô comentando aqui, pra a senhora ver mais rápido :)
Espero que a senhora tenha gostado das fotos! Vou aí algum dia desses lhe ver!
Te amo.
Beijos,
Clara

Ramon de Alencar disse...

...
-Até me bateu uma nostalgia, dos festejos de Caruarú, e Campina Grande...
Belas Palavras Juninas...

Tânia França disse...

Ai, Ceça! Saudade do São João de Pesqueira... Lindo, seu poema! Senti até o cheiro de milho assado!