quinta-feira, 7 de junho de 2007

AS PESQUISAS


O procedimento de Cacilda para dar conta de suas múltiplas horas de aulas em diferentes colégios sem problemas de nenhuma espécie, provocava comentários nem sempre abonadores. Depois de realizar a chamada, invariavelmente batia palmas enérgicas para atrair atenção mais depressa. A turma entendia, de imediato começava a puxar as cadeiras para compor seis grupos, a exigência de praxe. Em caso de presença maciça invariavelmente sobravam três alunos. Nesse caso, Cacilda aceitava encaixá-los em grupos dispostos a acolhê-los.

Sempre em voz baixa, ela sugeria dois temas a serem trabalhados nas pesquisas durante o horário de aula. Por sorte, a biblioteca se localizava a poucos metros da sala de aula, o que facilitava o acesso a livros e revistas.

Quando todos se envolviam Cacilda podia relaxar. Sentada atrás de sua mesa retirava de volumosa pasta alguns trabalhos, exercícios e provas coletados nos diversos colégios e faculdades por onde andara o dia inteiro. A cada meia hora descansava a caneta vermelha para circular entre os grupos e verificar o andamento de cada trabalho.

Quando se aproximava, muitos a puxavam pelo braço em busca de mais esclarecimentos, ela se limitava a sorrir sem perder a fleuma e continuava a passear no meio das equipes antes de voltar a sentar atrás da mesa e retomar a correção dos papéis até a sineta tocar para o encerramento da aula.

Uma hora e quarenta minutos dificilmente permitiam a conclusão dos trabalhos, assim chegava o final de semana, de meses, de unidades, às avaliações e Cacilda cumpria toda a carga horária.

Com a sua didática, a mestra conduzia seus alunos à paixão ou repulsa aos temas por ela escolhidos. Ao mesmo tempo, sua metodologia de ensino forçosamente despertava fortes laços de cooperação e cumplicidade, os alunos concluíam os períodos com pleno conhecimento de formação de grupos, de consulta e manuseio de livros da biblioteca.

Antes de qualquer coisa aprendiam a pesquisar, a buscar nos livros o que lhes faltara durante as aulas práticas.


Conceição Pazzola

Olinda, 23 de abril de 2003 17:05

Um comentário:

Gerlane disse...

Querida Conceição,

Identifiquei-me com algumas ações rotineiras da colega Cacilda.
Entre tanto trabalho e dissabores,sobram-nos isso:a gratificação da esperança de que,de alguma forma,estamos contribuindo com um dos mais nobres ofícios que um ser humano possa exercer,o de transmitir conhecimentos.

Abraços,

Gerlane