terça-feira, 11 de dezembro de 2007

PARA SEMPRE LÍLIA


PARA SEMPRE LILIA
Sueco faz retrato cruel da juventude perdida

"PARA SEMPRE LÍLIA"


Ninguém poderia supor

Onde o vento sopra no telhado

Onde a chuva cai na vidraça

Ou o carro de bombeiro apita

E os carros passam velozes

Rumo aos seus vários destinos

Ninguém poderia supor

Sobre os telhados das casas

Nas coberturas de edifícios

Antes e tão perto do céu

Passeiam os anjos felizes.

Ninguém poderia supor

Quanto eles sonharam

Mas a vida cruel destruiu

Todas as ilusões e sorrisos

Todos os sonhos de Lília

Ninguém podia supor

De seu tinha só o corpo

Jovem e tão cheia de fé

No amor e nas palavras

Tão fáceis de acreditar

Nem ela haveria de supor

Quanto pode ser tão cruel

A frieza nos modos do homem

A cada hora vem novo cliente

Urgia reaver todos os gastos

Cobrados no corpo de Lília

Nem ela poderia supor

Quando o anjo abriu asas

Acolheu a sua grande dor

Enxugou suas lágrimas

Ajudou-a a pensar grande

Mostrou grandes asas brancas

Com elas poderia ir muito longe

Encontrariam juntos novo caminho

Em qualquer lugar no azul do céu

Sobre os lixos daquela cidade cruel

Voariam juntos e para sempre, afinal

Lília conquistou suas brancas asas

Sentiu o abandono das correntes

Abraçou o seu alvo anjo da morte

Alcançou o seu direito de voar

Ninguém haveria de supor

Sobre as casas e os edifícios

Agora existe uma legião de anjos

Eles foram marcados para morrer

Com seu anjo ela vai rumo ao céu

Livre de todas cobranças e luxúrias

Lília conquistou suas brancas asas

Deu adeus a todas amarguras.


Conceição Pazzola

Olinda, 11/12/2007


2 comentários:

Gerlane disse...

Triste, né, Ceiça?!

Abraços,

Gerlane

KIMDAMAGNA disse...

Muito tocante...o esfumar de uma vida é algo sempre doloroso.
Nosso mais real.

Kim