terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

UM CARTÃO DE VISITA



Moro tão longe, que as serpentes

morrem no meio do caminho.

Moro bem longe: quem me alcança

para sempre me alcançará.


Não há estradas coletivas

com seus vetores, suas setas

indicando o lugar perdido

onde meu sonho se instalou.


Há tão somente o mesmo túnel

de brasas que antes percorri,

e que à medida que avançava

foi-se fechando atrás de mim.


É preciso ser companheiro

do Tempo e mergulhar na Terra,

e segurar a minha mão

e não ter medo de perder.


Nada será fácil: as escadas

não serão o fim da viagem:

mas darão o duro direito

de, subindo-as, permanecermos.




Alberto da Cunha Melo













4 comentários:

CLAU disse...

Bela edição!
Bela leitura!
Obrigados, poeta-doce-de-gente,
Alberto e Cláudia

Maria Muadié disse...

Lindi, lindo . Esta é uma das minhas preferidas de Alberto.
beijo

Sílvia Câmara disse...

Não é um cartão de visitas, é um presente!
Obrigada Ceiça querida.
beijo grande

Alexandre Souza disse...

"Moro tão longe que as serpentes morrem no meio do caminho...",lindo!Vim retribuir uma visita e me deparo com tantas coisas lindas !Maior ainda a alegria de encontrar uma conterrânea poetisa,receba os parabéns pelo blog e o abraço do amigo!
(Alexandre Souza)