terça-feira, 5 de agosto de 2008

MAIS UM DIA QUATRO

O frio fugiu despercebido e a manhã deixou de ser sombria quando o sol veio aquecer por dentro e por fora.

Indiferente à mudança climática continuei entretida a te ver dançar ao som contagiante da filarmônica de teu primo pelo lado materno, aquele que não vias há mais de trinta anos. Ficou tão feliz com o reencontro que prometeu derrubar um avião para que nunca pudéssemos deixá-lo.

O filme de nossa viagem esperava por um momento como o de hoje, quando os meses já passaram um sobre o outro, amenizaram a dor de tua partida.

Ainda assim os olhos umedeceram, às pressas expulsei a tristeza da sala, sorri para ti que passeavas de barco com o braço sobre os meus ombros, vez por outra me olhavas a confirmar se estava junto.

Desembarcamos no meio de muita gente na antiga gruta formada por estalactites naturais na Sardenha, andamos pelas ruas de Roma, passeamos no interior da Capela Sistina, subimos os degraus do Vaticano para admirar a praça São Pedro, passeamos pelas fontes de Rimini, antiga colônia de férias dos imperadores romanos servidos por escravos onde aconteciam bacanais na era romana.

Estamos lado a lado, de vez em quando tu acendes o cigarro e guardas discreta distância, cuidado que os anos de convivência ensinaram a ter comigo.

Vejo-te dançar e pular como criança com a tarantela sarda e a alegria é tão contagiante, em torno as pessoas também cantam, dançam, batem palmas, pareces me dizer para te recordar assim, feliz, alegre, transbordando vida. O filme é um alento renovador, dissolve a dolorosa imagem de teus últimos dias.

Novamente me dou conta que o tempo pode, sim, amenizar a dor da partida. Não estou certa se diminuirá a saudade.

Conceição Pazzola

Olinda, 4/8/2008

2 comentários:

www.manufaturanova.blogspot.com disse...

A saudade talvez até possa aumentar... X)

Ain, deu saudade foi de viajar lendo seu texto! X)))
;***

Luialhures disse...

A reconheci por ler os artigos dos Poetas Independentes e vim aqui conhecer seu blog após ter comentado um poema meu. Fiquei impressionada com o seu bom gosto, dos textos, das fotos.. gostei muito do que vi, parabéns, Maria.. escrevinhe muito, escrevinhe sempre! Beijos