domingo, 9 de março de 2008

DIA DA MULHER


Bodódromo de Petrolina - PE


Escuto a chuva torrencial e inesperada sobre a terra quente neste dia consagrado à mulher.

O céu também festeja, dançam estrelas vestidas de fadas de braços dados aos querubins enquanto as nuvens se desmancham.

É muito bom que exista Oito de Março para lembrar quanto uma mulher significa.

Esposa, mãe, companheira, filha, amiga, profissional, dona de casa, somos multifacetadas. Sem nós o mundo seria impossível.

Todos os dias são nossos. Quem carrega o filho no ventre, amamenta, vela o sono quando adoece, embranquece os cabelos de preocupação enquanto ele está na rua?

Neste dia dedicado às mulheres, o pensamento voou até aquele dia de maio longínquo, esquecido e cheio de teia de aranha lá no fundo de meu cérebro, de repente veio à tona.

Conhecíamo-nos há tão pouco tempo. Você parecia louco para formalizar o que acontecia tão naturalmente entre nós.

Tanto insistiu que venceu a minha relutância e fomos olhar as alianças que você havia visto numa vitrine.

Era um dia de sol ameno, passeávamos sempre abraçados pelas ruas do Rio de Janeiro, como dois namorados que éramos.

Diante da joalheria vi o seu contentamento. Pouco importavam alianças. Desde menina sou avessa a formalidades, mas, vencida por sua cara de felicidade fiz tudo como manda o figurino. Noivamos.

Costurei um vestido novo para a ocasião, gastei o sábado na cozinha de minha irmã onde me hospedava. Ela reuniu meia dúzia de parentes para testemunharem o pedido formal e as alianças.

Sete meses depois nos casamos na pequena igreja de Santa Rita, pertinho da Candelária, a majestosa e conhecida catedral. Como dizia o poeta Fernando Pessoa “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

De repente minha vida deu uma guinada de 180 graus.

Um dia, deparei-me com a sua aliança numa gaveta, perdida entre camisas e objetos pessoais.

Olhei para a mão esquerda; lá estava ela, sozinha, enquanto a outra jazia esquecida.

Não era caso para brigas.

Mantive a coerência, retirei-a do anular esquerdo onde você havia colocado diante do altar. Ficou somente a marca.

Você tentava justificar diante das pessoas que eu preferia usar prata. Pouco importava os outros.

Uma mulher deve garantir o espaço que merece, com os mesmos direitos de seu homem.

Formamos uma família feliz. Com seus altos e baixos passou muito depressa.

Você partiu e sequer nos despedimos.

Tento conviver com isso, pouco importam os anos ou a morte. Ela não vai nos separar, meu amor.


Conceição Pazzola

Um comentário:

Gerlane disse...

Lembranças e sentimentos expostos de uma forma natural e, simplesmente bela!

Um abraço, Ceiça!