sábado, 22 de março de 2008

OLINDA LINDA






Depois de tantos anos cheguei novamente às ladeiras de Olinda. Quase menina, durante mais de quatro anos subi e desci todo santo dia, ia e vinha do trabalho, do colégio, para ir à praia que possuía areia branca e mar aberto, limpo, tão diferente de hoje em dia, aos cinemas olindenses ou recifenses, aos encontros de brotos, às animadas retretas do Carmo, enfim, era uma vida deliciosa que não volta mais.

Rever a rua Bispo Coutinho acelerou o bip de meu coração, revi as igrejas antigas, o seminário, a casa do bispo transformada em loja de artesanato, o convento e a igrejinha da Conceição, o observatório, a caixa d’água onde será o mirante, a igreja da Misericórdia, a Academia de Santa Gertrudes onde cursei pedagogia enquanto ali funcionou a FACHO, transferida para Ouro Preto. Lá estava ela!

A linda casa onde moramos, meus pais, irmãos e eu. O que fizeram do porão e da minha goiabeira? Onde foi parar todo mundo, cadê o cachorro Leão, apesar de ser um vira-lata nos dava Bom-Dia, se abaixava todo ao ouvir o cumprimento? Deixei-os para trás quando parti, hoje nada é como antes.

A casa parece a mesma pelo lado de fora. Foi reformada para um restaurante, depois virou museu, atualmente é o Centro de Artesanato repleto de peças de rara beleza dos artesãos de Olinda: escultores, pintores e bordadeiras.

Perdi a coragem de debruçar-me à janela para ver passar o belo motoqueiro de todas as tardes; deixou de ser misterioso quando o encontramos numa das animadas retretas de domingo lá no Carmo.

Sem o capacete, Vina, a maninha cúmplice desfez o mistério que o cercava, a sua irmã se chamava Zaíra, a linda miss Pernambuco que perdeu por muito pouco o cetro de miss Brasil.

A paquera congelou na subida da ladeira para não provocar ciúmes na ex-namorada também moradora da Bispo Coutinho, razão de tantas idas e vindas ao entardecer...

As pedras seculares daquelas ladeiras guardam muitas histórias como essa. Ah, se elas falassem.


5 comentários:

Paloma disse...

É uma coisa linda e doída rever as ladeiras, os passos que pisamos, as lágrimas e sorrisos de um lugar qie já foi nosso. Quando volto à Bahia, tenho em mim essas coisa dolorida e nostálgicas, mas sempre azul.
Seu texto me deu vontade de voltar lá, a Pernambuco e à Salvador também!

Paloma disse...

É uma coisa linda e doída rever as ladeiras, os passos que pisamos, as lágrimas e sorrisos de um lugar qie já foi nosso. Quando volto à Bahia, tenho em mim essas coisa dolorida e nostálgicas, mas sempre azul.
Seu texto me deu vontade de voltar lá, a Pernambuco e à Salvador também!

Sílvia Câmara disse...

As lembranças sempre nos comovem. Tão bom se pudéssemos voltar um pouquinho que fosse, àqueles tempos de infância. os cheiros, os sabores, as emoções tão simples, os afagos que já não temos porque aqueles entes já estão em outras esferas, o reencontro com amigos. Ah! Ceiça, as lembranças são meu ponto fraco. Essa memória que nos alenta, acalenta, desalenta... um beijo...

Gerlane disse...

Querida Ceiça,

Este texto trouxe-me recordações da época em que estudei em Olinda e, coincidentemente, da época e deste lugar onde eu tanto namorei. Acho, que é porque Olinda não é só linda, mas também encantadoramente poética.

Beijos!

José Calvino disse...

Sinto-me nostálgico, minha mãe nasceu em Olinda e falava tudo isso, dos tempos de infância, da mocidade...Ah! Ceiça, é como Silvinha diz: "as lembranças são meu ponto fraco..."
Beijos do,
Calvino