sexta-feira, 27 de julho de 2007

SUMIU



A minha vida nada mais é

Somente o castelo de areia

Efêmera, ao sabor da maré

Basta um sopro na candeia

Antes, só eu, o mar, o céu

Como será o meu castelo

Penso nele muito bonito

Forte, sólido, igual rocha

Longe de qualquer ameaça

Com areia faço argamassa

Moldo, desfaço sem pressa

Enfim o longo dia termina

No castelo tem um jardim

As ondas pedem seu lugar

E o mar avança sobre mim

Em breve desisto de lutar

Também o castelo tomba

A luta insana é crescente

Dele? Nenhuma sombra

Foi tragado de repente

Para onde foi o castelo

Nem lembrança restou

De novo só, perdi o elo

Ele sumiu, desmoronou.


Conceição Pazzola

27/7/2007

3 comentários:

Gerlane disse...

Corremos o risco de vê-los ruir,quando construímos castelos na areia,principalmente,à beira-mar,pois este sempre retoma o que é seu.Mas,triste sina essa de poeta,a de viver construindo castelos na areia.
Um abraço,Ceiça!
Gerlane

Tânia França disse...

Ceça!
Louvadosejadeus! Blog reconfigurado e eu podendo dizer aqui: poeta, você não é de desistir! Reconstrua esse castelo, hôme!Onda vai, onda vem e nós, aqui, reconstruindo nossos castelos!
Beijim, querida!

Sílvia Câmara disse...

Ceiça, querida.
Ainda estou ouvindo a sua voz.
um beijo.

P.S. Há castelos que não tem onda que destrua.